Pré-Vestibular Comunitário Vetor

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Reportagem publicada no jornal católico Deus É Fiel, antiga publicação da Paróquia Santa Mônica, em 06/03/2003.

Reinaldo José Gallo Junior é carioca e tem 26 anos. Advogado, formou-se na PUC-Rio. É também professor da UFF. Ingressou na Paróquia Santa Mônica em 1987, com apenas 11 anos. Em 1994, aos 18 anos, crismou-se em cerimônia celebrada por Dom Rafael Llano Cifuentes, juntamente com outros 100 jovens.

Hoje, Reinaldo coordena o Ministério Extraordinário da Comunhão Eucarística, a equipe de Liturgia da Pastoral Jovem e o Pré-Vestibular Comunitário Vetor, todos movimentos da nossa paróquia. Contudo, uma das suas maiores paixões é o Pré-Vestibular criado por ele e por um grupo de amigos, com o apoio do nosso pároco, Frei Antônio Moreno, no ano de 2000.

“Começamos do zero, só tínhamos entusiasmo e garra” – relata. O trabalho foi inspirado em outro do qual Reinaldo já havia participado em 1998, como professor de Inglês, quando ainda universitário da PUC-Rio.

Assim, em 2000, com o apoio espiritual e logístico de Frei Antônio Moreno nasceu o Pré-Vestibular. Dos 100 candidatos, 40 foram selecionados, oriundos de comunidades como Rocinha, Vidigal e adjacências. Os alunos tinham aulas de todas as matérias das 8h às 19h. Destes 40, apenas 13 terminaram. Mas a surpresa não podia ser melhor: Com apenas quatro meses de curso, já duas alunas foram aprovadas no Vestibular de Meio de Ano da PUC-Rio. E, no final do ano, destas 13, todas mulheres, 6 foram aprovadas: uma aluna para a UFF, uma para a UERJ e quatro para a PUC-Rio.

Em 2001, a procura pelo curso aumentou. Foram 128 candidatos, sendo selecionados apenas 40. Dos 19 que perseveraram até o fim, sete passaram, sendo: um para a UERJ, um para a UFF, um para a UNI-Rio e o restante para a PUC. O aluno Raphael, que passou para a UERJ, hoje é professor de Matemática do curso.

Em 2002, cerca de 200 pessoas desejavam estudar. “Temos que abrigar o maior número possível” – desejava Reinaldo. Daí, com o apoio de Frei Antônio Moreno e de Frei Jesús, a carga horária aumentou e o número de turmas também. Naquele momento, os vestibulandos foram divididos em duas classes de 40, com objetivos diferentes.

“A paróquia não tinha espaço físico para ofertar durante a semana. Nesse instante Frei Jesús, nos abriu as portas e passamos a funcionar no colégio durante a semana e na paróquia aos sábados” – conta Reinaldo.

Surgiram então as turmas A e B. A primeira teria aulas durante a semana à noite no Colégio Santo Agostinho e aos sábados à tarde na Paróquia Santa Mônica recebendo um tratamento mais intensivo objetivando o Vestibular do fim do ano.

A outra permaneceria com aulas apenas aos sábados o dia todo na igreja. Esta teria a oportunidade de rever conceitos esquecidos e se preparar melhor para fazer o vestibular no outro ano. “O objetivo da turma B era justamente propiciar uma recordação das matérias por um ano, para que, no ano seguinte, se pudesse pensar em Vestibular” – explica Reinaldo.

Assim, chegaram ao final cerca de 30 pessoas, totalizando as duas turmas. O número de aprovações no Vestibular não foi tão bom. Mas, pelo menos, pode-se ajudar mais aspirantes. Entretanto, “uma estudante nossa chegou a passar em 3 universidades públicas e com isso ela pôde escolher onde estudar” – comemora Reinaldo. “Também uma senhora de quase 70 anos passou para Letras na UFRJ”.

Em 2003, o número de candidatos chegou a quase 300. “O apoio da mídia foi fundamental para este recorde. Tivemos contribuições da Rádio Catedral e dos jornais Testemunho de Fé, Extra e O Globo, na sua revista Megazine” – conta.

O trabalho continua como no ano passado: 80 alunos se dividem entre turmas A e B. Há uma forte expectativa de que os resultados deste ano sejam muito melhores: “Felizmente o número de evasão está pequeno. Além disso, os ex-alunos da B que estão hoje na A estão arrebentando e dando um show de dedicação e estudo” – elogia Reinaldo.

A equipe do Pré-Vestibular Comunitário Vetor é composta por universitários e ex-universitários que dão aulas e não recebem qualquer tipo de remuneração com isso: “Quem paga nosso salário é Cristo” – brinca Reinaldo. “Acreditamos que podemos, através da educação das massas, construir um Brasil melhor e menos desigual”. Faz sentido, até porque o nome Vetor é inspirado na Física: “Este elemento físico tem a função de puxar para cima todo objeto e é desta forma que nossos alunos ficam ao deixarem esta casa – puxados da desigualdade para cidadãos de fato”.



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